terça-feira, 24 de maio de 2011

Curva

Oh curva desnaturada
Estás onde não podias
Por pouco não foste o ponto
Do ponto final dos dias
Mas tu também não ficaste
Pra trás no meu pensamento
Como qualquer boa curva
Que aos poucos vai ficando turva
Dobrada no esquecimento.

Pra que é que serve uma curva
Se não for pra mudar
O rumo da direção
De quem deseja dobrar?
Eu só queria benzer
Esse local dessa estrada
Naquela curva imprudente
Que fez essa vida da gente
Ficar sem ser engraçada.

Será que curva tem mãe?
Será que ela deixaria
Um filho dela fazer
Aquela malfeitoria?
Não há quem possa dormir
Em paz em qualquer colchão
Sabendo que a mãe da gente
Padece, meu deus, inocente
Sofrendo sem precisão.




PC Silva


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Poeta na Vida


Se eu for na vida um poeta
Desses de livraria
De amor eterno jurado
De beijos na escadaria
De folhas esvoaçantes
De corações palpitantes
Serei feliz nesse dia

Se eu for na vida um poeta
Desses de padaria
De um amor debochado
De um amor loteria
Que hora me é amante
Depois se faz tão distante
Serei feliz nesse dia

Se eu for na vida um poeta
De vagabunda poesia
De amor regado a cachaça
De mais de uma Maria
De amores mal resolvidos
De versos mal entendido
Serei feliz nesse dia

Mas se eu só for um alguém
Que fez de um sonho a saída
Que fez de alguém "o amor"
Que amou sem se ter medida
Se assim depois me encontrar
Serei capaz de jurar
Que fui poeta na vida.


PC Silva


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